Você já reparou na quantidade de dinheiro que o seu aluno ou cliente gasta com recovery? É tudo fora do seu estabelecimento para tentar consertar o corpo das dores do treino?
Ele termina uma sessão intensa de corrida, musculação, funcional ou crossfit e vai direto para fisioterapeutas, massagistas, clínicas de estética ou compra massageadores elétricos na internet.
Hoje, a recuperação é vista como um pilar ativo de alta performance e bem-estar geral. A busca por uma recuperação muscular acelerada e inteligente gerou um mercado bilionário de saúde preventiva.
O consumidor atual já entendeu que para performar no máximo, ele precisa se regenerar no máximo. E esse fenômeno que está explodindo globalmente e mudando as regras do jogo atende pelo nome de recovery.
O que é o mercado de recovery?
O mercado de recovery é o segmento de negócios focado em oferecer soluções, tecnologias e metodologias científicas para acelerar a regeneração muscular e mental, aliviando o estresse físico pós-treino.
Antigamente, a métrica de sucesso do treino era a dor muscular depois, a famosa cultura do "no pain, no gain". Hoje, a mentalidade predominante é a da eficiência e do gerenciamento do estresse biológico.
O público descobriu que dores persistentes atrapalham a rotina de trabalho e a constância nos próprios treinos.
Por isso, as estações de recovery deixaram de ser exclusividade dos vestiários de times profissionais de futebol ou das vilas olímpicas. Elas dominaram as clínicas de fisioterapia, centros de saúde integrados como o Instituto Olimpo e academias.
O conceito engloba uma série de ativações e serviços integrados:
- Crioterapia e banheiras de gelo para controle de processos inflamatórios e melhora do sistema imunológico.
- Compressão pneumática com uso de botas infláveis de compressão que ativam a circulação sanguínea e aceleram a remoção de metabólitos musculares.
- Saunas e termoterapia para relaxamento tecidual e eliminação de toxinas.
- Liberação miofascial assistida com técnicas manuais ou com dispositivos de percussão (pistolas de massagem) para devolver a mobilidade aos músculos.
Por que a regeneração virou sinônimo de alta performance e retenção?
A busca por otimização biológica, impulsionada pela cultura do biohacking, transformou o comportamento do consumidor de bem-estar.
O praticante de atividade física moderno monitora batimento cardíaco, qualidade do sono e outros dados através de wearables avançados. Quando os dados indicam que o corpo está sobrecarregado, ele busca ativamente uma solução de recovery.
O grande trunfo desse modelo de negócio é a retenção e a fidelização do cliente.
Em uma academia convencional, o aluno associa o espaço físico apenas ao esforço. Quando você insere uma área de regeneração dentro do seu ecossistema, você altera a memória em relação à sua marca, o espaço passa a ser associado também ao alívio.
Nos relatórios da McKinsey & Company, as categorias ligadas ao sono, à saúde mental e à recuperação muscular estão entre as que mais crescem em intenção de gasto por parte dos consumidores de alto poder aquisitivo.
Como monetizar o espaço com serviços de recovery?
É claro que o modelo mais óbvio de negócio que envolve o recovery é uma clínica de fisioterapia. Porém, outros negócios podem aproveitar essa oportunidade dentro de seus espaços.
Você não precisa expandir o tamanho físico do seu imóvel ou contratar dezenas de novos colaboradores para ativar essa nova linha de receita. Em uma academia, por exemplo, uma sala que antes era usada para aula de ginástica pode ser dedicada ao atendimento de clientes.
- Venda por planos de assinatura (Upsell)
O aluno paga uma taxa adicional recorrente na mensalidade tradicional para ter direito a usar os produtos. Por exemplo, botas de compressão ou crioterapia um determinado número de vezes por semana.
- Modelo pay-per-use (cobrança por uso)
O cliente agenda uma sessão avulsa de 20 ou 30 minutos de relaxamento ou liberação miofascial com um profissional logo após um treino exaustivo de pernas ou uma corrida no final de semana.
- Inclusão em planos premium
Utilizar o serviço de regeneração como o grande diferencial de valor para vender o plano mais caro da sua academia, justificando o ticket elevado e atraindo o público de maior poder aquisitivo.
A diversificação de serviços secundários dentro de clubes e academias é o fator que mais protege o negócio contra a sazonalidade e a perda de alunos para a concorrência direta de preço baixo.
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Lorrayne Santos é Head de Redação e Copywriting na BOICO. Especialista em identidade verbal e comunicação voltada para o mercado fitness, esportivo e wellness.
